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Sancionada lei que permite divórcio e inventário sem juiz
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quinta-feira
(4/12), e entra em vigor nesta sexta (5/12), a lei que permite que divórcios,
separações, inventários e partilhas, em que não há conflito entre as
partes, sejam aprovados sem a presença de um juiz. Uma escritura pública,
lavrada em cartório na presença dos advogados, pode resolver a questão.
A norma pretende facilitar a vida das partes, no sentido de dar mais
agilidade e reduzir o custo desses procedimentos Também desafoga a Justiça
de processos que, na verdade, dispensam sua intrvenção.
O texto altera a redação de três e inclui um artigo ao Código de
Processo Civil. As novas regras só valem para casos que não envolvam
interesses de menores e incapazes.
Para o divórcio, é preciso que o casal já esteja separado de fato a
mais de um ano, de acordo com escritura pública ou sentença judicial de
separação.
A nova redação do artigo 982 dispõe sobre inventários e a partilhas
através de escritura pública. Em seu parágrafo único, ressalta a
necessidade de presença do advogado durante a assinatura do documento. O
artigo 983 prevê os prazos. Com os documentos em mãos, os herdeiros não
levarão mais do que um dia para lavrar a escritura pública dividindo a
herança.
A determinação dos valores cobrados por estes serviços ainda depende de
normatização da Corregedoria-Geral da Justiça e das respectivas
secretarias da Fazenda e da Justiça, uma vez que no caso de partilhas
existe a incidência de impostos estaduais. No entanto, a nova lei prevê
a gratuidade desses atos aos cidadãos que comprovarem não ter condições
de arcar com as custas dos emolumentos. A nova lei entra em vigor nesta
sexta-feira (5/1), com sua publicação no Diário Oficial.
Para o advogado Luciano Vianna, embora a nova legislação seja
importante, ela poderá suscitar dúvidas com relação aos inventários já
em curso na esfera judicial. "Uma questão que certamente surgirá é
se, em relação aos processos em andamento, os herdeiros poderão ou não
desistir da via judicial e optar pelo inventário extrajudicial. Ao meu
ver, não há nada que impeça a aplicação dessa lei aos processos em
cursos, mas esse aspecto poderá gerar controvérsias”, diz.
Leia o texto da lei
LEI Nº 11.441, DE 4 DE JANEIRO DE 2007
Altera dispositivos da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código
de Processo Civil, possibilitando a realização de inventário, partilha,
separação consensual e divórcio consensual por via administrativa.
O P R E S I D E N T E D A R E P Ú B L I C A
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Os arts. 982 e 983 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código
de Processo Civil, passam a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 982. Havendo testamento ou interessado incapaz, proceder-se-á
ao inventário judicial; se todos forem capazes e concordes, poderá
fazer-se o inventário e a partilha por escritura pública, a qual
constituirá título hábil para o registro imobiliário.
Parágrafo único. O tabelião somente lavrará a escritura pública se
todas as partes interessadas estiverem assistidas por advogado comum ou
advogados de cada uma delas, cuja qualificação e assinatura constarão
do ato notarial." (NR)
"Art. 983. O processo de inventário e partilha deve ser aberto
dentro de 60 (sessenta) dias a contar da abertura da sucessão,
ultimando-se nos 12 (doze) meses subseqüentes, podendo o juiz prorrogar
tais prazos, de ofício ou a requerimento de parte.
Parágrafo único. (Revogado)." (NR)
Art. 2º O art. 1.031 da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo
Civil, passa a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 1.031. A partilha amigável, celebrada entre partes capazes,
nos termos do art. 2.015 da Lei n o 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código
Civil, será homologada de plano pelo juiz, mediante a prova da quitação
dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas, com observância
dos arts. 1.032 a 1.035 desta Lei.
..............................................................................................."
(NR)
Art. 3º. A Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil, passa a
vigorar acrescida do seguinte art. 1.124-A:
"Art. 1.124-A. A separação consensual e o divórcio consensual, não
havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos
legais quanto aos prazos, poderão ser realizados por escritura pública,
da qual constarão as disposições relativas à descrição e à partilha
dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à
retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome
adotado quando se deu o casamento.
§ 1º A escritura não depende de homologação judicial e constitui título
hábil para o registro civil e o registro de imóveis.
§ 2º O tabelião somente lavrará a escritura se os contratantes
estiverem assistidos por advogado comum ou advogados de cada um deles,
cuja qualificação e assinatura constarão do ato notarial.
§ 3º A escritura e demais atos notariais serão gratuitos àqueles que
se declararem pobres sob as penas da lei."
Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 5º Revoga-se o parágrafo único do art. 983 da Lei nº 5.869, de 11
de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil.
Brasília, 4 de janeiro de 2007; 186º da Independência e 119º da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Márcio Thomaz Bastos
Fonte: Revista Consultor Jurídico,
5 de janeiro de 2007
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